Portela encanta com enredo sobre Príncipe do Bará, ritmos e tradição, mas termina em tensão na Sapucaí.
A Portela apresentou na Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues. O samba-enredo vencedor, composto por Valtinho Botafogo e parceiros, homenageou Príncipe Custódio, figura histórica da cultura afro-gaúcha do século XIX, figura tida como responsável pelo fortalecimento do batuque e de tradições de matriz africana no sul do Brasil.
A letra e a melodia, acompanhadas pela bateria e pela comunidade azul-e-branca, refletiram essa narrativa de ancestralidade, luta e fé, buscando resgatar e valorizar histórias muitas vezes marginalizadas no imaginário tradicional do Carnaval.
Nos meses que antecederam o desfile, os ensaios na quadra da Portela em Madureira foram palco de muita dedicação. Componentes e a comunidade afinaram o samba, ensaiaram coreografias e batidas, mostrando forte engajamento com a proposta e com o intérprete oficial, Zé Paulo Sierra figura central nos momentos de aquecimento antes da passagem pela Sapucaí.
A comissão de frente, coordenada por Cláudia Mota e Edifranc Alves, abriu o desfile com uma coreografia sincronizada e cheia de significado, introduzindo o público ao universo do enredo com elementos que remetiam à fé e à ancestralidade.
O casal mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Squel Jorgea, fez sua entrada com elegância e precisão. Num bailado que combina tradição e técnica, conduziram o pavilhão com leveza e respeito à história que a escola queria contar um momento de beleza que reverberou nas arquibancadas, consolidando um dos pontos mais celebrados do desfile.
Ao longo da Avenida, as alas foram se sucedendo com grande energia: fantasias ricas em detalhes plásticos, cores vibrantes e bom entrosamento dos segmentos. A bateria Tabajara do Samba pulsou forte, mantendo o ritmo contagiante que é marca registrada da escola.

Entretanto, o final do desfile trouxe um momento de apreensão: o último carro alegórico enfrentou problemas técnicos quando já se aproximava do término da pista. A equipe de apoio precisou intervir rapidamente para realinhar a estrutura e evitar um atraso maior fato que gerou tensão entre os componentes e o público, e que poderá entrar na avaliação dos quesitos de organização e evolução pelos jurados. (Observação: relatos apontam o incidente, mas as informações oficiais ainda estão em apuração.)
Apesar do contratempo com o último carro, a Portela reafirmou sua força como uma das maiores escolas da história do Carnaval carioca, com um desfile cheio de significado cultural e impacto visual. A comunidade celebrou o compromisso com a música, o enredo e a tradição, mostrando que a Majestade do Samba segue lutando por seu espaço entre as favoritas ao título e levando ao público uma mensagem de resistência, ancestralidade e beleza.
Matéria: Nathalia Dias
Jornalista responsável: Edinho Meirelys
Foto: Nathalia Dias