Cotidiano / Sociedade

DESESPERO, SEDE, SECA E SILÊNCIO: A CRISE DA ÁGUA QUE PERSISTE EM QUEIMADOS

Por Redação

Enquanto discursos institucionais falam em normalização gradual, a realidade nas torneiras de milhares de moradores de Queimados conta outra história: a da escassez, da improvisação e do desgaste cotidiano provocado pela falta de água.

Nas últimas semanas, relatos se multiplicam em diferentes bairros do município, apontando um padrão preocupante de abastecimento intermitente, baixa pressão e dependência crescente de caminhões-pipa. Em alguns pontos da cidade, a água chega apenas durante a madrugada — quando chega.

A concessionária responsável pelo serviço, a Águas do Rio, atribui as falhas a fatores operacionais como manutenções emergenciais, impactos climáticos e ajustes no sistema de produção e distribuição. Contudo, moradores e especialistas alertam para um problema mais profundo: a combinação entre infraestrutura defasada, crescimento urbano desordenado e planejamento insuficiente para garantir segurança hídrica na Baixada Fluminense.

A dependência estrutural do sistema Guandu, principal fonte de abastecimento da região metropolitana, torna municípios como Queimados particularmente vulneráveis a paralisações, quedas de vazão e intervenções técnicas. Nessas situações, a promessa de retorno gradual do abastecimento nem sempre corresponde à realidade vivida nas periferias urbanas, onde a pressão da água é historicamente mais baixa.

O impacto vai além do desconforto doméstico. A falta de água compromete atividades comerciais, aumenta custos familiares, agrava riscos sanitários e expõe desigualdades sociais profundas. Em áreas mais vulneráveis, a escassez hídrica se soma a outras precariedades, criando um ciclo de exclusão invisibilizado pelo debate público.

Moradores relatam ainda a existência de estruturas de reservação construídas há anos que permanecem sem funcionamento pleno, evidenciando um déficit histórico de planejamento e execução de políticas de saneamento.

Diante desse cenário, a crise da água em Queimados deixa de ser um problema pontual e passa a representar um sintoma de fragilidade estrutural na gestão do abastecimento na Baixada Fluminense.


COBRANÇA PÚBLICA À CONCESSIONÁRIA

A população de Queimados precisa de respostas objetivas e ações concretas. Não é mais aceitável que a falta de água seja tratada como uma ocorrência episódica quando, na prática, se tornou parte da rotina de milhares de famílias.

É necessário que a Águas do Rio apresente um plano transparente de investimentos, com cronograma público de obras estruturantes, metas claras de melhoria na pressão da rede e canais eficazes de comunicação com a sociedade.

A regularidade no abastecimento não é um privilégio: é um direito básico. Sem previsibilidade, sem informação e sem solução definitiva, a crise hídrica em Queimados se transforma em um problema social e político que exige responsabilização.

A pergunta que permanece é direta: até quando a população seguirá convivendo com torneiras secas enquanto aguarda promessas de normalização que nunca se concretizam plenamente?

Entramos no site da concessionaria e não achamos nenhuma comunicação falando de Queimados e adjacências.

https://aguasdorio.com.br/comunicados/

Um comunicado foi dado para um morador de Queimados pela Águas do Rio: Boa tarde, MORADOR. Eu acabei de ligar para a Águas do Rio e me informaram que estão fazendo uma manutenção no bairro e o abastecimento retornará depois das 20:00

Essa situação é uma vergonha!

Matéria: Edinho Meirelys

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