Acadêmicos de Vigário Geral supera dificuldades e apresenta desfile de fantasia e reflexão na Série Ouro
A Acadêmicos de Vigário Geral encerrou a primeira noite de desfiles da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro 2026 com o enredo “Brasil Incógnito: O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, que convida o público a revisitar a história do Brasil sob o olhar da fantasia, dos mitos e das criaturas imaginárias criadas pelos primeiros colonizadores. 
A proposta da escola, assinada pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, transformou a Sapucaí em um universo lúdico de monstros, heróis e figuras híbridas, simbolizando a diversidade cultural e a ideia de que aquilo que parecia estranho pode ser reinterpretado como força e identidade. 
Um dos pontos mais elogiados do desfile foi a bateria “Swing Puro”, comandada pelo mestre Luygui, que apresentou um ritmo potente e coeso, com destaque para a qualidade do naipe de tamborins e chocalhos. A musicalidade da bateria foi vista como um dos maiores trunfos da escola, imprimindo energia ao samba-enredo e sustentando o andamento da escola na avenida. 
A comissão de frente, que representou os primeiros olhares europeus sobre a terra brasileira, acompanhou com vigor a temática narrativa, e a harmonia trabalhou para manter o canto coletivo alinhado ao enredo. Componentes, intérprete e alas traduziram com entrega os elementos fantásticos propostos, mostrando uma escola que soube se organizar para levar algo diferente ao público. 
A trajetória da Vigário Geral até a Sapucaí também é marcada por superação: em outubro de 2025, a escola sofreu um incêndio em seu barracão que destruiu grande parte das alegorias e materiais, obrigando a comunidade a reerguer o projeto em condições adversas antes do Carnaval. 
Ainda assim, a crítica especializada e parte do público observou que, por seu caráter mais conceitual e simbólico, o desfile pode não ter atingido um impacto imediato junto às arquibancadas, que costumam responder com maior intensidade a temas mais populares e diretos. A leitura da proposta exigiu atenção e reflexão, e essa conexão nem sempre se traduziu em momentos explosivos de aplausos durante a apresentação.
No entanto, a Acadêmicos de Vigário Geral deixa a Marquês de Sapucaí com a imagem de uma escola criativa, resiliente e culturalmente engajada — atributos que certamente serão levados em consideração na apuração final e na avaliação dos jurados na disputa pelo acesso ao Grupo Especial.
Matéria: Nathalia Dias
Jornalista responsável: Edinho Meirelys
Foto: Reprodução