“Do quintal esquecido ao sonho que nunca morreu”
Evandro Dias de Andrade nasceu em 10 de fevereiro de 1968, em Marechal Hermes, subúrbio do Rio de Janeiro. Sua chegada ao mundo foi marcada por silêncio, medo e resistência. Filho de mãe solteira, que já enfrentava a dura missão de criar cinco filhos em meio à extrema pobreza, Evandro começou sua trajetória longe do colo materno, sendo entregue ainda nos primeiros dias de vida aos cuidados de uma tia.
Naquela casa, ele não era apenas um bebê. Era um segredo. Um segredo que precisava ser escondido do olhar rígido do tio, que não aceitava mais uma responsabilidade em uma família já sobrecarregada. O pequeno Evandro cresceu nos primeiros meses aprendendo, sem saber, que até o choro poderia ser perigoso. Sua tia o mantinha em silêncio, protegido nas sombras de uma verdade que não podia ser revelada.

Mas a vida, como sempre, encontra caminhos inesperados. Um dia, seu choro rompeu o silêncio imposto. Ao ser questionada, a tia disse que ele era filho da vizinha. Aquela mentira simples foi, por um tempo, o escudo que permitiu a Evandro continuar existindo ali.
A infância de Evandro foi marcada por privações, mudanças e a constante sensação de não pertencimento. Crescer sem estabilidade emocional e financeira moldou seu caráter desde cedo. Enquanto outras crianças brincavam, ele observava. Enquanto muitos sonhavam, ele aprendia a sobreviver. O mundo lhe ensinou, ainda menino, que a vida exigia coragem antes mesmo de oferecer oportunidades.
Na adolescência, Evandro começou a construir sua própria identidade. As ruas de Marechal Hermes, com seus desafios e encantos, tornaram-se sua escola. Ali ele aprendeu o valor da amizade, da solidariedade e da luta diária. Cada obstáculo era uma prova de resistência, cada queda um convite para levantar mais forte.
A ausência de uma base sólida familiar não o tornou fraco — pelo contrário. Transformou-o em alguém determinado a romper ciclos, a escrever sua própria história sem repetir os mesmos capítulos de dor. Evandro carregava dentro de si uma mistura de sensibilidade e força, como quem entende o sofrimento, mas se recusa a ser definido por ele.
Ao longo da vida, enfrentou batalhas invisíveis, aquelas que não aparecem nos jornais nem nas conversas cotidianas. Lutou contra limitações impostas pela origem, contra o peso das memórias difíceis e contra o preconceito silencioso que tantas vezes acompanha quem nasce à margem das oportunidades.
Mas Evandro nunca deixou de acreditar. Sua trajetória é a prova de que o ser humano pode florescer mesmo em terrenos áridos. Cada conquista, por menor que fosse, representava uma vitória contra o destino que parecia traçado desde o nascimento.
Hoje, sua história não é apenas sobre dor ou superação. É sobre resistência, identidade e dignidade. Sobre a capacidade de transformar silêncio em voz, invisibilidade em presença, abandono em aprendizado.
Evandro Dias de Andrade é, acima de tudo, um símbolo vivo de que a vida pode começar como um segredo…
mas nunca precisa terminar como um esquecimento.
Vandinho, não tem fotos da sua infância e adolescência a imagem composta a essa matéria foi editada por IA a partir da fotografia de seu amado neto que parecia muito com Vandinho seu avô.
Matéria: Edinho Meirelys
Foto: arquivo pessoal