Empreendedorismo

Empreender na dor, crescer na união: a trajetória de uma mulher que transformou desafios em propósito

Por Redação

Flavia Liberato conta sua história que muitas mulheres empreendedoras no Brasil começa em momentos de ruptura. A dela não foi diferente. Sua trajetória com o empreendedorismo nasceu em um dos períodos mais desafiadores da história recente: a pandemia. Um tempo marcado pelo medo, pela insegurança e pela necessidade urgente de reinvenção.

No auge da crise sanitária, veio o desemprego. A incerteza era coletiva, mas a resposta foi construída em rede. Ao lado de outras mulheres do condomínio onde morava, surgiu um pacto silencioso de sobrevivência: cada uma faria algo para vender. Não era apenas sobre gerar renda, era sobre não desistir.

Foi nesse contexto que ela decidiu vender hambúrgueres. A ideia veio acompanhada de uma dúvida sincera: “Eu sei fazer hambúrguer?”. A resposta inicial foi não. Mas isso não foi um impeditivo. Pelo contrário. Veio a pesquisa, os testes, os erros, os acertos. Veio o aprendizado. Assim nasceu a Turin Hambúrguer Artesanal.

Tudo era feito à mão: carnes, molhos, processos. O negócio cresceu rápido, virou febre e alcançou um volume expressivo de vendas. Mas o maior diferencial não estava apenas no produto,  estava na forma de empreender.

A Turin foi construída de maneira coletiva, com a participação ativa da família. O marido ajudava no preparo das carnes, a mãe cuidava das batatas, o pai embalava cada pedido com carinho, o filho fazia as entregas. Ela montava, decorava e cuidava de cada detalhe. Mais do que um negócio, era amor em movimento.

Com o fim da pandemia, a vida apresentou um novo desafio. O pai adoeceu. Ela retornou ao trabalho formal, mas a doença avançou e exigiu uma decisão difícil: parar tudo para estar ao lado dele no hospital. Entre corredores, medos e orações, um novo recomeço começou a se desenhar.

Foi ali que nasceu a ideia de vender calçados.

Assim surgiu a Finna Flor. O negócio ganhou forma física com um box no Recreio e rapidamente alcançou bons resultados. Com o agravamento da doença do pai, foi necessário fechar o espaço físico e migrar totalmente para o digital. Mais uma vez, a adaptação foi certeira. A marca segue ativa até hoje, com vendas online, presença nas redes sociais e participação em bazares coletivos com outras empreendedoras da região.

A Finna Flor continua viva e faz parte da trajetória, mas já não ocupa o centro do sonho. Hoje, ela caminha junto, integrada a um projeto maior.

Esse projeto é a JP Lumen.

Foi ali que ela se encontrou de verdade. Na JP Lumen, descobriu seu dom: criar com as próprias mãos, permitir que a espiritualidade conduza o processo e transformar fé, sentimento e propósito em peças únicas. Mais do que trabalhar, ela manifesta quem é.

O empreendedorismo, para ela, nunca foi apenas sobre vender. Sempre foi sobre conexão, coletividade e sentido. Um caminho que começou na dor, passou pela união, amadureceu na perda e floresceu na consciência.

“Esse sonho de empreender não nasceu agora. Ele sempre esteve em mim”, resume.

Hoje, ela segue em mais uma jornada. Mais madura. Mais consciente. Mais conectada com o próprio propósito. Uma mulher que prova que empreender também é um ato de coragem — e, muitas vezes, de cura.

Matéria: Edinho Meirelys

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