Religião

Morre o mestre Ogan Bangbala um ícone ancestral do Candomblé brasileiro

Por Redação

O mundo das religiões de matriz africana no Brasil amanheceu mais triste com a confirmação do falecimento de Ogan Bangbala cujo nome civil era Luiz Ângelo da Silva reconhecido como um dos maiores ogãs da tradição afro-brasileira e ícone ancestral do Candomblé.

Bangbala, que dedicou mais de um século de vida à preservação das tradições religiosas africanas no Brasil, foi uma referência inigualável no que diz respeito à transmissão dos saberes ligados à percussão, às cantigas sagradas e à manutenção dos rituais nos terreiros. Sua jornada religiosa começou ainda jovem, com iniciação aos 14 anos, e ao longo de décadas ele se tornou respeitado por ter fundado e colaborado com dezenas de casas de santo, sobretudo nas regiões de Salvador e na Baixada Fluminense, especialmente em Belford Roxo.

 

Um guardião do tambor e da ancestralidade

No Candomblé, o ogã é a figura responsável por tocar os atabaques, agogôs e outros instrumentos que estabelecem o ritmo ritualístico essencial para invocar as presenças espirituais e conduzir cerimônias desde festas aos orixás até celebrações de passagem e ritos fúnebres.

Bangbala não era apenas um tocador de instrumentos: ele simbolizava a conexão viva com as tradições ancestrais africanas transplantadas para o Brasil. Por meio do toque dos atabaques e de seus cânticos em iorubá, ele ajudou a manter vivas formas originárias de culto e de memória e sua prática foi reconhecida como patrimônio cultural vivo da religiosidade afro-brasileira.

Legado reconhecido e múltiplas homenagens

Ao longo de sua vida, Bangbala recebeu homenagens oficiais e reconhecimento civil: ele foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo Ministério da Cultura em 2014, e participou de exposições, filmes e eventos que celebraram seus saberes e sua contribuição para a cultura afro-brasileira. A trajetória dele chegou a ser contada em documentários e mostras que buscavam resgatar e fortalecer a memória dos terreiros e sua expressão no país. 

Para muitos praticantes e lideranças religiosas, sua presença era sinônimo de ligação direta com a tradição ancestral: ele era considerado uma “biblioteca viva” de cânticos, toques e saberes ritualmente carregados, capazes de conectar gerações ao Axé e aos ancestrais.

Um legado que transcende tempos

A morte de Ogan Bangbala marca o fim de uma era, mas também reforça a importância de sua contribuição para a preservação da cultura afro-brasileira e o reconhecimento das religiões de matriz africana no Brasil. Sua vida e obra permanecem como testemunho da vitalidade desses saberes, que continuam a ser vividos nos terreiros, nas festas, nos atabaques, nos cânticos e na memória coletiva de uma nação que celebra ancestralidade e resistência espiritual.

Matéria: Nathalia Dias

Jornalista responsavél: Edinho Meirelys

Foto: Reprodução

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