Carnaval

Unidos da Ponte encerra a madrugada com samba potente e baile cultural na Sapucaí

Por Redação

Na madrugada deste domingo (15), a Unidos da Ponte realizou um desfile vibrante e cheio de identidade na Marquês de Sapucaí, fechando os desfiles da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro 2026 com energia contagiante e uma proposta temática que uniu história, ritmo e afirmação cultural. 

🎶 Enredo celebra a cultura negra e o baile como resistência

A escola de São João de Meriti trouxe como tema o enredo “Tamborzão O Rio é baile! O poder é black!”, uma ode às raízes negras e aos ritmos periféricos que moldaram a cultura musical do Rio de Janeiro. A proposta revisitou a evolução dos bailes cariocas do lundu e do maxixe às pistas de funk contemporâneas exaltando o tamborzão e a batida que pulsa tanto nas comunidades quanto no coração do Carnaval. 

O carnavalesco Nícolas Gonçalves, responsável pela criação, destacou que a Sapucaí deveria se tornar “uma grande pista de dança” durante a passagem da escola, ressaltando o papel dos bailes como espaços de resistência, pertencimento e celebração da identidade preta e periférica. 

Alegorias e estética vibrante

Ao cruzar a passarela, a Unidos da Ponte apresentou alegorias impactantes e criativas, cada uma representando capítulos da história dos ritmos negros e suas influências. As primeiras alegorias trouxeram referências aos bailes de antigamente, com figuras que evocavam lundu, maxixe e soul, enquanto as alegorias seguintes destacaram o poder do funk e do tamborzão traduzindo em plástico a energia pulsante que o enredo propunha.

As cores foram outro ponto alto: tons intensos de azul, preto e dourado compuseram os carros e alas, reforçando o clima de festa e resistência. O uso de elementos estilizados da cultura dos bailes e da música periférica ajudou a consolidar a narrativa visual do desfile e trouxe coesão ao conjunto. 

Pontos positivos
• Coerência temática forte: O enredo conseguiu conectar passado e presente dos ritmos negros, com uma narrativa clara e envolvente que dialoga com identidade cultural.
• Impacto visual expressivo: Alegorias e fantasias foram criativas, com grande presença de palco e bom acabamento.
• Bateria vibrante: A bateria acompanhou o ritmo proposto pelo enredo, reforçando a proposta do tamborzão como batida fundamental.
• Casal de mestre-sala e porta-bandeira bem entrosado: A execução técnica foi segura e contribuiu positivamente para a estética da escola.

Pontos de atenção
• Complexidade temática: Embora envolvente, a proposta exigiu atenção do público para ser plenamente compreendida — especialmente para quem não está familiarizado com a história dos ritmos explorados.
• Ritmos contemporâneos na avaliação: A mistura de samba com elementos do funk e outros estilos periféricos pode ser desafiadora em termos de avaliação técnica por júris tradicionais.
• Evolução e distribuição de alas: Em alguns poucos momentos, a evolução ficou um pouco menos fluida, reflexo natural do grande volume de elementos que a escola trouxe para a Avenida.

Um encerramento de festa com significado

Com o samba-enredo embalando o público e a bateria pulsando, a Unidos da Ponte cumpriu com maestria a missão de fechar os desfiles da Série Ouro com um discurso cultural potente. O baile seja ele no ritmo do samba ou do funk foi celebrado não apenas como festa, mas como território de afirmação, pertencimento e história.

A escola mostrou que beleza plástica e relevância sociocultural podem caminhar juntas, deixando uma impressão forte no público e na avaliação que se seguirá nos próximos dias.

Se desejar, posso também preparar uma versão analítica comparando a Ponte com as outras escolas da noite destacando possíveis posições na apuração final.

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